O Colecionador de Feridas Narcisismo, Psicopatia e a Radicalização da Dor (Em Homenagem a Charlie Kirk 1993-2025)

 


O colecionador de feridas é, sob a lente da psicanálise, um sujeito cuja estrutura psíquica gira em torno de uma ferida narcísica não elaborada, que se transforma em eixo identitário. Preso a um ciclo de vitimização, ressentimento e agressividade, esse indivíduo não age por estratégia consciente, mas por compulsão inconsciente, sustentada por mecanismos de defesa rígidos e regressivos. A coleta obsessiva de desprezos, reais ou imaginários, serve como combustível para justificar sua miséria interna e projetá-la nos outros, criando um mundo externo hostil que espelha seu caos interno.

 

Narcisismo patológico e ferida primária

Sigmund Freud, em ‘Introdução ao Narcisismo’(1914), descreve como o investimento libidinal pode ser redirecionado do objeto para o próprio ego, criando uma estrutura narcísica. Quando esse ego é ferido, por negligência, abuso ou falta de espelhamento adequado na infância, forma-se uma lesão narcísica, que compromete a capacidade de amar, confiar e elaborar perdas.

O psicanalista austríaco Otto Kernberg, autor de vários livros incluindo ‘Agressão nos Transtornos de Personalidade e nas Perversões’, ao estudar o narcisismo maligno, aponta que esses indivíduos desenvolvem uma identidade grandiosa e defensiva, sustentada por sentimentos crônicos de vazio, inveja e raiva.

O colecionador de feridas não consegue integrar sua dor psíquica. Como Melanie Klein descreveu, o sujeito secciona partes intoleráveis do self e as projeta em objetos externos, que passam a ser percebidos como ameaçadores. A ferida é preservada como núcleo do self, e o sofrimento torna-se uma moeda de valor simbólico, usada para reivindicar superioridade moral e justificar ataques.

 

Psicopatia e ausência de empatia

Robert Hare, psicólogo canadense, autor de ‘Sem Consciência: O Mundo Perturbador dos Psicopatas que Vivem Entre Nós’ e outras obras, em seus estudos sobre psicopatia descreve indivíduos com traços de frieza emocional, manipulação e ausência de remorso. Embora o colecionador de feridas nem sempre se enquadre no perfil clínico da psicopatia, ele compartilha com esse tipo de estrutura a incapacidade de empatia genuína e a tendência a instrumentalizar o sofrimento alheio.

Stanton Samenow , psicólogo norte-americano que escreveu, dentre outros,  o livro ‘A Mente Criminosa’, observa que o pensamento criminoso frequentemente envolve a negação da responsabilidade e a construção de narrativas de vitimização para justificar comportamentos destrutivos, podendo-se observar mecanismos defesa predominantes como:

  • Projeção: A dor interna é atribuída a figuras externas, transformadas em inimigos simbólicos.
  • Externalização da culpa: O sujeito recusa-se a reconhecer sua participação nos próprios fracassos.
  • Viés de confirmação: Busca ativa por evidências que reforcem sua posição de vítima.
  • Deslocamento: A raiva é redirecionada para alvos mais acessíveis, muitas vezes grupos sociais ou figuras públicas.

Ainda de acordo com Samenow, existem as dinâmicas psíquicas destrutivas:

  • Elitismo moral e vitimismo crônico: A dor é convertida em superioridade ética, criando uma posição de retidão inatacável.
  • Construção do inimigo: O outro é demonizado como fonte de sofrimento, permitindo ataques justificados.
  • Hipersensibilidade a ofensas: Qualquer gesto é interpretado como ameaça, alimentando ciclos de raiva.
  • Impossibilidade de perdão: O perdão implicaria renunciar à ferida, o que seria vivido como aniquilação do self.

 

A escalada para a violência: quando a ferida se torna bandeira

Em casos extremos, o colecionador de feridas pode transformar sua dor em uma bandeira ideológica, moral ou política. A ferida deixa de ser apenas um sofrimento interno e passa a ser um símbolo de luta contra um "sistema" ou "inimigo" que ele acredita ser responsável por sua condição. Essa transição da dor para o discurso é marcada por uma radicalização subjetiva, onde o ressentimento se converte em ação.

Jacques Lacan, ao discutir o conceito de gozo (jouissance), mostra como o sujeito pode encontrar prazer perverso na repetição do sofrimento, especialmente quando esse sofrimento é convertido em ação. O gozo não é prazer no sentido comum, mas uma satisfação paradoxal que emerge da dor, da perda e da destruição. O colecionador de feridas goza ao manter viva sua mágoa, e esse gozo pode se intensificar quando ele encontra um inimigo externo que encarne sua dor interna.

Christopher Bollas, psicanalista norte-americano autor de ‘Segure-os Antes Que Caiam’ e outras obras, descreve esse fenômeno como acting out do trauma, onde o sujeito encena externamente aquilo que não consegue elaborar internamente. A violência, nesse contexto, não é apenas um ato impulsivo, mas uma tentativa desesperada de restaurar um senso de uurgência e identidade. O ataque ao outro, seja verbal, simbólico ou físico, torna-se uma forma de reafirmar o self ferido. A destruição do “inimigo” é vivida como reparação da própria dor.

Autores brasileiros como o psiquiatra, psicanalista e escritor Jurandir Freire Costa, um dos pensadores brasileiros mais relevantes na interface entre psicanálise, subjetividade e cultura e autor de ‘Violência e Psicanálise’, onde mostra que a psicanálise precisa tematizar a violência, analisa como o sofrimento psíquico pode ser capturado por discursos sociais e transformado em identidade, muitas vezes marcada pelo ressentimento, pela vitimização e pela recusa da alteridade.

Em outras obras como ‘A Ética e o Espelho da Cultura’ e ‘O Vestígio e a Aura’, Freire Costa discute como a subjetividade contemporânea é atravessada por sentimentos de exclusão, humilhação e perda de valor simbólico. Ele mostra que, em contextos de precariedade afetiva e social, o sujeito pode se agarrar à dor como forma de afirmação. A ferida psíquica, nesse cenário, deixa de ser algo a ser elaborado e passa a ser um emblema, uma marca de identidade.

Essa lógica é central para o colecionador de feridas: ele não busca superar o sofrimento, mas sim convertê-lo em narrativa de superioridade moral. A dor se torna um capital simbólico, usado para justificar ataques ao outro e para reivindicar reconhecimento.

Freire Costa também analisa como o ressentimento pode ser instrumentalizado por discursos políticos e ideológicos. Em vez de promover a elaboração da dor, certos discursos reforçam a posição de vítima, alimentando a hostilidade contra grupos ou indivíduos percebidos como responsáveis pelo sofrimento. Isso se conecta diretamente à ideia supracitada de que o colecionador de feridas transforma sua dor em bandeira. A abordagem de Freire Costa propõe uma ética da escuta e da elaboração, defendendo que o sofrimento deve ser acolhido, mas não cristalizado. A clínica, e por extensão, a sociedade, deve oferecer espaços onde a dor possa ser simbolizada, transformada em linguagem, e não convertida em arma.

Essa perspectiva é profundamente psicanalítica: ela reconhece o valor da dor, mas também seu potencial destrutivo quando não elaborada. O colecionador de feridas, nesse sentido, representa o fracasso dessa elaboração, e o desafio ético de enfrentá-la.

Joel Birman, referência fundamental na psicanálise brasileira contemporânea especialmente por seu trabalho sobre a constituição da subjetividade em tempos de precariedade simbólica, sofrimento psíquico e violência, em obras como ‘Mal-estar na Atualidade’, ‘Psicanálise e Violência’ e ‘O sujeito na Contemporaneidade’, analisa como as transformações sociais e culturais das últimas décadas impactaram profundamente a constituição do sujeito. Ele observa que vivemos em uma era marcada pela fragilização dos vínculos simbólicos, pela aceleração do tempo e pela perda de referências identitárias estáveis. Nesse cenário, o sofrimento psíquico deixa de ser elaborado pela linguagem e passa a ser encenado no corpo e na ação.

O colecionador de feridas é um exemplo emblemático dessa subjetividade em colapso. Birman descreve como, diante da impossibilidade de simbolizar a dor, o sujeito recorre à violência como forma de expressão. A ferida psíquica, não metabolizada, se converte em ato, seja ele verbal, simbólico ou físico. A violência, nesse contexto, não é apenas destrutiva: é uma tentativa de existir, de afirmar uma identidade que se sente apagada ou ignorada.

Birman também destaca o papel da cultura na amplificação desse sofrimento. Em uma sociedade que valoriza o desempenho, a visibilidade e o sucesso, o sujeito que não se encaixa tende a internalizar sua exclusão como falha pessoal. O colecionador de feridas internaliza essa lógica, mas a transforma em ressentimento ativo. Ele não apenas sofre, ele acusa, denuncia, ataca. Sua dor se torna bandeira contra um mundo que ele percebe como hostil e injusto. O  papel da psicanálise é, portanto, o de oferecer um espaço onde o sujeito possa reconstruir sua narrativa, simbolizar sua dor e recuperar sua capacidade de desejar. O desafio clínico é romper o circuito da repetição traumática e abrir caminho para a elaboração. No caso do colecionador de feridas, isso significa ajudá-lo a abandonar a posição de vítima moral e a reconhecer sua dor como experiência humana, não como identidade.

 

A criminologia da narrativas de vitimização

Na criminologia, estudiosos como os brasileiros Luiz Flávio Gomes e Ilana Casoy destacam como a construção de narrativas de vitimização pode justificar atos violentos, oferecendo também análises valiosas sobre a construção da violência, a vitimização e os discursos que justificam o crime, temas que dialogam diretamente com o perfil do colecionador de feridas.

Luiz Flávio Gomes, jurista e criminólogo, foi um dos principais defensores da ideia de que o crime não pode ser compreendido apenas como transgressão legal, mas como fenômeno social e psicológico. Em seus estudos sobre criminologia crítica, ele analisa como certos sujeitos constroem narrativas de vitimização para justificar comportamentos violentos.

No caso do colecionador de feridas, essa lógica é clara: ele se vê como vítima de um sistema injusto, de uma sociedade que o exclui ou humilha. A dor que ele carrega, que até pode ser legítima, é convertida em argumento para atacar o outro. Luiz Flávio Gomes alerta que esse tipo de racionalização é perigosa porque transforma o agressor em “justiceiro”, alguém que acredita estar corrigindo uma injustiça por meio da violência.

Essa inversão moral, onde o sofrimento autoriza o ataque, é uma das marcas do colecionador de feridas radicalizado. Ele não reconhece limites éticos, pois acredita que sua dor o coloca acima da norma. A criminologia crítica, nesse sentido, ajuda a entender como o ressentimento pode ser instrumentalizado para legitimar o crime.

Ilana Casoy, escritora e criminóloga, é conhecida por seus estudos sobre crimes de ódio, assassinatos em série e psicodinâmica do criminoso. Em obras como ‘Serial Killers: Louco ou Cruel?’ e ‘Arquivos do Mal’, ela demonstra como muitos criminosos constroem narrativas de vingança moral para justificar seus atos.

Esses indivíduos, segundo Casoy, não se veem como criminosos, mas como vítimas que foram levadas ao limite. Eles acumulam mágoas, desprezos e humilhações (reais ou imaginários) e os transformam em combustível para a violência. O colecionador de feridas compartilha dessa estrutura: ele cataloga ofensas, alimenta ressentimentos e, em casos extremos, converte sua dor em ação destrutiva.  A autora também destaca o papel da frieza emocional e da ausência de empatia nesses perfis. O agressor não sente remorso porque acredita estar fazendo justiça. Essa racionalização é típica de sujeitos que não elaboram sua dor, mas a transformam em bandeira de guerra.

Robert Hare, psicólogo canadense e um dos maiores especialistas mundiais em psicopatia,  é conhecido por desenvolver a Psychopathy Checklist-Revised (PCL-R), uma das ferramentas mais utilizadas para avaliar traços psicopáticos. Em sua obra seminal ‘Without Conscience: The Disturbing World of the Psychopaths Among Us’, (Sem Cosciência:  O Perturbador Mundo dos  Psicopatas Entre Nós’, ainda quando da publicação do artigo, sem tradução para o português), Hare descreve indivíduos que apresentam:

•             Ausência de empatia

•             Frieza emocional

•             Manipulação interpessoal

•             Falta de remorso ou culpa

•             Comportamento impulsivo e predatório

Embora o colecionador de feridas nem sempre se enquadre no perfil clínico de psicopatia como já observado, ele compartilha com esse tipo de estrutura psíquica a tendência à racionalização da agressividade e à instrumentalização da dor, tanto a própria quanto a alheia, como já enfatizado no texto.

Hare mostra que psicopatas frequentemente constroem narrativas que justificam seus atos violentos. Eles não sentem culpa porque não reconhecem o outro como sujeito. O sofrimento do outro é irrelevante, e o próprio sofrimento é usado como desculpa para manipular, controlar ou punir, sendo, segundo Hare, um perigo real quando esses sujeitos se encontram em contextos sociais e políticos, pois sua capacidade de manipular emoções e construir discursos convincentes pode levá-los a posições de influência, onde disseminam ressentimento e hostilidade.

 




A Internet e as redes rociais como espaço de amplificação da dor e da violência

A internet e as redes sociais transformaram radicalmente a forma como os sujeitos expressam, compartilham e constroem suas identidades. Para o colecionador de feridas, esses ambientes digitais funcionam como espelhos amplificadores de sua dor psíquica, oferecendo validação instantânea, audiência constante e reforço simbólico para narrativas de sofrimento e ressentimento.

Nas redes, a dor não precisa ser elaborada, ela pode ser performada. O sujeito publica relatos de injustiça, humilhação ou exclusão, e recebe em troca curtidas, comentários e compartilhamentos que funcionam como confirmações de sua posição de vítima. Essa dinâmica cria um ciclo de retroalimentação emocional, onde o sofrimento é recompensado socialmente, dificultando qualquer movimento em direção à elaboração psíquica.

A dor como espetáculo e a formação de bolhas de ressentimento

Em contextos de exclusão simbólica, o ressentimento pode se tornar identidade. Nas redes sociais, essa identidade é encenada e reforçada. O colecionador de feridas encontra outros sujeitos que compartilham sua dor e indignação, formando bolhas de validação mútua. Essas comunidades digitais, muitas vezes organizadas em torno de discursos de ódio, teorias conspiratórias ou ideologias extremistas, funcionam como câmaras de eco, onde o outro é sistematicamente desumanizado.

A dor, nesse contexto, deixa de ser experiência subjetiva e passa a ser bandeira coletiva. A narrativa de sofrimento é convertida em discurso político ou moral, e o “inimigo”, seja ele um grupo social, uma instituição ou uma figura pública, é transformado em alvo legítimo de ataque.

A internet também facilita a disseminação de conteúdos violentos por indivíduos ou grupos radicais que se apropriam da dor alheia para justificar ações destrutivas. Esses grupos oferecem ao colecionador de feridas uma linguagem, uma causa e uma comunidade. A dor pessoal é reinterpretada como injustiça sistêmica, e a violência é apresentada como resposta legítima.

Exemplos não faltam: fóruns extremistas, canais de vídeo com discursos de vingança, grupos em redes sociais que promovem ideologias de ódio, todos funcionam como incubadoras de radicalização. O sujeito, antes isolado em sua dor, encontra pertencimento e propósito. A violência, nesse cenário, deixa de ser tabu e passa a ser idealizada.

Impacto sobre mentes em formação: crianças, adolescentes e jovens

O impacto desse ambiente sobre mentes em formação é profundo e preocupante. Crianças, adolescentes e jovens em processo de construção identitária, são especialmente vulneráveis à lógica da vitimização performática e da radicalização emocional. Ao se depararem com narrativas de dor convertidas em poder, podem internalizar a ideia de que o sofrimento justifica o ataque, que o ressentimento é força, e que a violência é reparação.

A ausência de mediação simbólica, seja familiar, escolar ou institucional, agrava esse risco. Sem espaços de escuta e elaboração, esses jovens podem aderir a discursos destrutivos, reproduzir comportamentos agressivos e, em casos extremos, participar de ações violentas. A psicanálise nos ensina que o inconsciente é transmissível e nas redes, essa transmissão ocorre em tempo real, sem filtros, sem elaboração.


Consequências sociais da violência do colecionador de feridas

A radicalização da dor e sua conversão em violência têm efeitos devastadores para o tecido social. O colecionador de feridas não apenas ataca indivíduos, mas mina os vínculos comunitários, dissemina desconfiança e alimenta polarizações. Sua narrativa de vitimização perpetua ciclos de ódio e retaliação, dificultando o diálogo e a reparação.

Além disso, sua presença em espaços públicos, físicos ou digitais, pode influenciar outros sujeitos vulneráveis, criando redes de identificação baseadas no ressentimento. A psicanálise percebe que o inconsciente é transmissível, e a repetição de discursos de dor e vingança pode contaminar o campo social, gerando efeitos coletivos de destruição simbólica e, em casos extremos, violência concreta.

A psicanálise não justifica a violência, mas oferece ferramentas para compreendê-la como expressão de uma estrutura psíquica em colapso. Quando o ego não consegue mais sustentar a dor, e os mecanismos de defesa falham, o sujeito pode recorrer à ação violenta como último recurso para preservar sua identidade fragmentada. Novamente, é necessário enfatizar que o desafio clínico e social é criar espaços onde essa dor possa ser simbolizada, elaborada e, eventualmente, transformada, antes que ela se converta em destruição.

 

A prisão narcísica da dor e o risco da radicalização

Sob a ótica psicanalítica, o colecionador de feridas é um sujeito cuja identidade está estruturada em torno da dor não simbolizada. Incapaz de elaborar sua ferida primária, ele constrói um ego defensivo, sustentado por projeções e ataques ao outro. O narcisismo patológico impede a empatia, e a psicodinâmica da psicopatia contribui para a frieza e a racionalização da agressividade.

A dor, em vez de ser elaborada, é estetizada e transformada em bandeira, como repetido aqui. O sujeito não quer se curar, quer ser reconhecido por sua ferida. Como diria Lacan, ele se identifica com o que lhe falta, e essa falta se torna sua verdade subjetiva. Quando essa verdade, para o sujeito, é radicalizada, o sofrimento pode ser convertido em ação destrutiva, vivida como redenção.

Por fim, o colecionador de feridas não está apenas isolado dos outros, mas alienado de si mesmo. Sua prisão não é feita de mágoas, mas da recusa em renunciar às mesmas. E quando essa prisão se torna intolerável, o risco é que ele tente romper seus grilhões não pela via da elaboração, mas pela via da destruição.


O desafio clínico e social

O desafio clínico e social é imenso. É preciso criar espaços, dentro e fora da internet, onde a dor possa ser escutada, simbolizada e transformada. É necessário promover educação emocional, escuta empática e construção de vínculos que permitam aos sujeitos, especialmente os mais jovens, elaborar suas feridas sem convertê-las em armas.

A clínica psicanalítica, a educação, a saúde mental pública e as políticas digitais devem se articular para enfrentar esse fenômeno. O colecionador de feridas não é apenas um sujeito em sofrimento, é também um alerta sobre os efeitos da dor não elaborada em uma sociedade que recompensa o ressentimento e silencia a escuta.

A psicanálise não justifica jamais a violência, mas oferece ferramentas para compreendê-la como expressão de uma estrutura psíquica em colapso. Quando o ego não consegue mais sustentar a dor, e os mecanismos de defesa falham, o sujeito pode recorrer à ação violenta como último recurso para preservar sua identidade fragmentada.

‘O que nós, como cultura, precisamos recuperar é a capacidade de ter um desacordo razoável, onde a violência não seja uma opção.’

Charles James Kirk (14/10/1993- 10/09/2025)

 


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