A Agressividade e a Violência sob a Luz da Psicanálise: Uma Análise dos Casos do Cão Comunitário Orelha e de Pedro Arthur Turra Basso, com Reflexões sobre o Crescimento da Crueldade no Brasil
1. Introdução A violência não é um fenômeno periférico da experiência humana; ela está no centro da forma como nos organizamos, nos relacionamos e nos destruímos. A psicanálise, desde Freud, ousou afirmar algo desconfortável: a agressividade não é um acidente, mas uma dimensão estrutural da subjetividade. Em outras palavras, não existe humano sem agressividade. O que existe, ou falha em existir, são dispositivos simbólicos, culturais, jurídicos e afetivos capazes de conter, transformar e sublimá-la. No Brasil, a sensação difusa de que “a crueldade está aumentando” não é apenas impressão subjetiva. Relatórios sucessivos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública , do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e de órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam crescimento persistente de diversas formas de violência: homicídios, feminicídios, violência doméstica, crimes contra a dignidade sexual, além de um aumento expressivo nos registros de maus-tratos contra animais ...