O erro número 1 No Namoro: Uma Visão Psicanalítica Simples

 



Apaixonar‑se mexe com coisas profundas dentro da gente: desejo, medo, lembranças antigas e padrões que repetimos sem perceber. Este texto explica, de forma direta, por que “colocar‑se na posição de precisar” de alguém costuma destruir o encanto e sabotar relacionamentos promissores, e mostra como transformar essa armadilha numa postura mais segura e atraente.

Por que a atração vira necessidade

Quando gostamos de alguém, não reagimos só ao que vemos — reagimos também a imagens internas e à esperança de que essa pessoa nos complete. Colocar‑se como quem precisa da aprovação do outro faz com que você perca presença, autonomia e aquele ar de mistério que atrai.

O que dizem alguns autores da psicanálise

Sigmund Freud — por que repetimos e “doamos demais”

  • Energia emocional: Amar é investir energia. Gastar tudo cedo demais deixa você vulnerável.
  • Repetição: Tendemos a tentar refazer situações antigas para “consertar” algo do passado.
  • Medo do abandono: Esse medo leva a comportamentos apressados para evitar a dor de ficar sozinho.

Jacques Lacan — desejo e falta

  • Desejo nasce da falta: Queremos porque nos falta algo. Transformar o outro em “remédio” para essa falta é ilusório.
  • Busca por reconhecimento: Quando procuramos no outro a validação que nos falta, viramos quem pede demais.

Donald Winnicott — self verdadeiro e self falso

  • Self verdadeiro vs. self falso: Quem cresceu tendo que agradar pode desenvolver uma versão “falsa” de si para ser aceito.
  • Espaço para crescer: Relações saudáveis dão espaço para você ser autêntico — a pressa estraga isso.
  • Autonomia aprendida: Quem teve cuidado suficiente na infância costuma lidar melhor com ausências e limites no namoro.

Perspectivas atuais: Jessica Benjamin e Esther Perel

  • Jessica Benjamin: Relações boas dependem de reconhecimento mútuo. Quem “precisa” vira vulnerável a jogos de poder.
  • Esther Perel: Desejo precisa de mistério e risco. Transformar tudo em garantia mata a atração.

Como a necessidade destrói o valor

  • Passa de atraente a exigente: Em vez de ser você mesmo, você começa a atuar para conseguir aprovação.
  • Sinais práticos: há menos reciprocidade, mais ciúme, atração de pessoas manipuladoras e afastamento de pessoas seguras.

 O que alimenta essa pressa

  • Estilos de apego: Quem tem apego ansioso se envolve rápido demais; quem é evitativo faz idas e vindas; quem tem apego desorganizado fica confuso entre querer e se autossabotar.
  • Esgotamento emocional: Gastar muita energia cedo deixa você exausto se a outra parte não corresponder.
  • Cultura do amor instantâneo: Filmes e apps aumentam a ideia de “amor à primeira vista” e aceleram decisões.

 


Como mudar: passos práticos e simples

  1. Observe suas reações
    • Anote momentos em que sente urgência ou ciúme; pergunte se isso vem do presente ou de algo antigo.
  2. Segure suas ações, não os sentimentos
    • É normal sentir intensidade. Evite transformar esse sentimento em atos impulsivos (mensagens excessivas, encontros todos os dias).
  3. Mantenha sua vida ativa
    • Continue com amigos, trabalho e hobbies. Sua vida não pode depender de outra pessoa.
  4. Faça pequenos testes de realidade
    • Espere que a outra pessoa também dê iniciativa; peça algo simples e veja a resposta.
  5. Pratique a regulação emocional
    • Pausa antes de responder a mensagens, respire, converse com um amigo. Pequenas pausas evitam exageros.
  6. Cultive curiosidade em vez de certezas
    • Pergunte mais, interprete menos; tente entender o que a outra pessoa pensa e sente.
  7. Procure terapia quando necessário
    • A psicoterapia ajuda a entender padrões repetidos e a fortalecer um self mais autêntico.       

      

Práticas simples mas importantes 

  • Espere 24-48 horas antes de responder a um impulso de "mostrar tudo"
  • Transforme expectativas vagas em pedidos claros; observe a resposta.
  • Invista em si mesmo: cuide do corpo, da mente e das amizades.

Transformar o outro em necessidade é um sinal de feridas afetivas não resolvidas, não de fraqueza moral. Freud, Lacan e Winnicott explicam por que repetimos velhos padrões; pensadoras como Jessica Benjamin e Esther Perel mostram o caminho para relações baseadas em reconhecimento e desejo.

Ao reconhecer suas transferências, regular suas emoções, manter limites e fortalecer seu sentido de si, você cria espaço para que a atração vire uma relação saudável, não porque você “garantiu” o outro, mas porque ambos chegam inteiros para se encontrar.

 


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